Do ponto de vista climático as ações para conter os efeitos do aquecimento global precisam ser urgentes, segundo defende o ambientalista Fernando Valões, presidente da ONG Arte Cultura e Meio Ambiente. Segundo ele é preciso que sejam criadas novas políticas governamentais que beneficiem o meio ambiente em todo o mundo. Segundo Valões em 2050 a população do planeta está estimada em 9 bilhões de pessoas, é preciso que ocorram reduções nas emissões de C02 da ordem de 60% a 70%. A principal arma para se alcançar essas metas é a radical descarbonização dos sistemas de produção, como o emprego de práticas agrícolas que eliminem o uso intensivo de insumos químicos, como defensivos e fertilizantes.
No Brasil, a região que se apresenta mais vulnerável ao clima, é o Nordeste, principalmente devido a potenciais impactos negativos nos recursos hídricos e agricultura de sequeiro. O estado de Alagoas é o que apresenta situação mais grave de todo o país.
Um exemplo do tipo de problema que poderá ser enfrentado é o caso do algodão, com a elevação de 10C na temperatura reduziria a área plantada em 49.133 ha. Se chegar a 30C, a estimativa é de uma queda de 70% na área plantada. O município de Ouro Branco, se destaca no sertão alagoano no plantio de algodão, no ano de 2050, a cultura do algodão vai desaparecer." É preciso aumentar a capacidade adaptativa da sociedade e da economia regional às mudanças climáticas, a nossa caatinga vai virar semi-deserto. O município de Ouro Branco foi sinônimo de pujança econômica no sertão. Agricultores apostam agora no cultivo irrigado da planta, abandonando o plantio tradicional, pouco rentável ao bolso do produtor. Alagoas produziu apenas 4.151 toneladas. No ano passado(2007) os poucos agricultores que insistiram no plantio em todo o Estado produziram pouco mais: 5.400 toneladas. A área utilizada para plantio caiu de 12.000 hectares para 11.633 hectares. Hoje a atual produção não supre sequer 5% da demanda de pluma da Fábrica da Pedra, em Delmiro Gouveia, que processa em média, mais de 200 toneladas de algodão por mês". Destaca Valões.
O aumento de CO2 na atmosfera agrava o aquecimento global, e provoca desertificação. Cerca de 2/3 dos modelos usados para estudar os cenários para o clima em âmbito global apontam para a “aridização” das áreas secas do Estado de Alagoas.O município de Santana do Ipanema, conta ainda com uma algodoeira fundada em 1921, e o negócio continua ativo e lucrativo, principalmente depois da decadência da cultura do algodão em Alagoas na década de 1980. A Algodoeira Santanense beneficia mais de três milhões de quilos de algodão, mesmo situada numa região que não produz sequer 15% de sua demanda, 80% do algodão processado provém do interior da Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Concluiu Valões.
Os esforços para conter o aquecimento do planeta vão demandar ações de longo prazo o enfrentamento de duros embates. A reversão das tendência apontadas pelos especialistas, por sua vez, precisa estar baseada em um forte programa de ciência e tecnologia, que envolva o conjunto de especialistas e instituições do país e do exterior.
Lavoura de algodão em Mato Grosso permite cultura em larga escala
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Depois de ser praticamente dizimada por pragas em meados da década de 90, a cultura do algodão voltou a ser uma das principais estrelas do campo brasileiro e está seguindo a trilha de sucesso da soja. O produto foi o que registrou maior crescimento de área plantada na última safra. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento, as lavouras da fibra já ocupam 1 milhão de hectares, de onde será colhido neste ano 1,2 milhão de toneladas.
Valões destaca o modo do plantio do algodão em Alagoas:
O algodão é uma das principais lavouras no Brasil e no mundo sendo, no Brasil, um dos produtos agrícolas que mais contribuem no PIB do País. No final da década de 90 e início do novo século, a área cultivada cresceu, em várias regiões do país, onde se produz algodão de qualidade superior ao que era tradicionalmente cultivado no Brasil.
Existem alguns tipos e variedades de algodão sendo que, entre elas, podemos citar o anual, o perene e o semi-perene. De uma maneira geral, o algodoeiro se desenvolve melhor em climas quentes, com temperaturas superiores a 20 ºC, mas não devendo passar dos 30ºC.
Para que haja uma boa germinação, o algodoeiro exige uma boa umidade, mas não suporta solos encharcados. Os solos mais indicados para o plantio são os porosos e profundos, facilitando a penetração da água e o desenvolvimento das raízes. Preferencialmente, o algodoeiro não deve ser plantado em solos muito arenosos, que retenham pouca água e fertilizantes, além de serem mais propensos à erosão. Para se obter uma boa produção, o pH do solo, recomendado, deve ficar entre 5,5 e 6,5.
Como já foi citado, o algodoeiro necessita de climas quentes e, além disso, o regime de chuvas mais indicado é de 1000 a 1500 mm/ano, isto no caso do cultivo do algodão herbáceo. Em regiões com quantidades inferiores de chuva, recomenda-se o plantio do algodão arbóreo, muito mais resistente às secas.
Preparo do solo
É preciso um bom preparo do solo, com a aração e gradagem. A análise do solo é necessária, para que sejam feitas as devidas correções, com adubação e calagem, quando necessário. Em alguns casos, deve-se arar duas vezes, chegando-se a uma profundidade entre 20 e 25cm. Uma boa gradagem e aração dependem da umidade do solo, que deve estar, preferencialmente, entre 40 e 50%.
Adubação e plantio
A lavoura do algodão deve ser adubada antes do plantio e após, por cobertura. As adubações orgânica e verde dão bons resultados para a plantação. A época de plantio pode variar bastante, de acordo com a região, o regime de chuvas, o tipo e a variedade. O algodão herbáceo deve ser plantado no início da época das chuvas. No plantio mecanizado, são utilizados cerca de 20kg/ha de sementes., não devendo ser plantado com espaçamento maior que 1,20m.
Colheita
A colheita deve ser programada, na época do plantio, para que não aconteça nas épocas do ano com menores temperaturas, quando as plantas estão mais sujeitas a pragas e doenças. Também não é aconselhável que a colheita seja realizada em épocas de chuvas, pois as fibras serão prejudicadas, produzindo, assim, um algodão de qualidade inferior. Dependendo da variedade e do tamanho da lavoura, o melhor e mais indicado é a colheita mecanizada.
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