O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes foi lembrado ontem, segunda-feira, 18, pela ONG Arte Cultura e Meio Ambiente, que preparou um Videodebate com alunos de escolas municipais, educadores e conselheiros tutelares.
No Teatro do Estudante, na sede da ONG ACEMA, foi exibido o filme “Anjos do Sol”, em duas sessões, 15h e 18h. O Filme “Anjos do Sol”, conta o caso de Maria, uma jovem de 12 anos, que mora no interior do nordeste brasileiro. No verão de 2002 ela é vendida por sua família a um recrutador de prostitutas. Após ser comprada em um leilão de meninas virgens, Maria é enviada a um prostíbulo localizado perto de um garimpo, na floresta amazônica. Após meses sofrendo abusos, ela consegue fugir e passa a cruzar o Brasil através de viagens de caminhão.
Com o auditório lotado, mais de 200 jovens, debateram e sugeriram propostas como; enfrentamento da violência sexual no município; direcionamento orçamentário fixo para combater o problema; programa que funcione de verdade dando assistência e apoio a adolescentes vítimas de violência.
Este ano, o Videodebate, com a exibição do filme Anjos do Sol, trouxe a proposta de chamar a atenção da juventude para a importância de ficar atenta ao comportamento de cada criança e adolescente e, em caso de suspeita de violência sexual, comunicar de imediato as autoridades competentes. O Conselheiro Tutelar Manoel Belarmino, um dos debatedores disse que "Não podemos deixar impune os autores dessa violência. Acreditar e proteger as crianças e adolescentes é responsabilidade de todos. No sertão alagoano, o número de crianças e adolescentes vítimas de violência aumenta a cada dia. Os dados só vêm a confirmar a necessidade e importância de se promover ações de prevenção e de empoderamento de crianças e adolescentes, e da sociedade em geral, no enfrentamento à problemática. Os casos de violência doméstica também são assustadores, tornando-se um grande desafio romper com o muro do silêncio que impede a denúncia, de forma a comprometer a vivência saudável das crianças e adolescentes. Comentou Belarmino.
Para o presidente da ONG ACEMA e Conselheiro Municipal da Criança e do Adolescente, Fernando Valões, “o objetivo do Videodebate no dia de ontem, 18 de Maio é derrubar o muro do silêncio em torno da violência sexual cometida contra crianças e adolescentes, sustentado pela indiferença da sociedade e pela cultura da impunidade dos agressores. O 18 de Maio é uma data que vem a reafirmar a importância de se denunciar e responsabilizar os autores de violência sexual contra a população infanto-juvenil. A violência sexual praticada contra crianças e adolescentes pode manifestar-se de diversas formas, sendo as de maior ocorrência, o abuso sexual dentro da própria família e a exploração sexual para fins comerciais, como a prostituição, a pornografia e o tráfico, conforme visto no filme Anjos do Sol. Todas as suas expressões constituem crime e são, sem dúvida, cruéis violações dos direitos humanos. As crianças e os adolescentes vulneráveis a esse tipo de violência sofrem danos irreparáveis para o seu desenvolvimento físico, psíquico, social e moral. Esses danos podem trazer conseqüências muito penosas para sua vida, como, por exemplo, o uso de drogas, a gravidez precoce indesejada, distúrbios de comportamento, condutas anti-sociais e infecções por doenças sexualmente transmissíveis. Outros videodebates serão realizados nas escolas e na periferia da cidade”. Finalizou Valões
Durante o filme varias crianças e adolescentes choraram e no seu final, saíram consciente dos cuidados e riscos para com as suas vidas.



Caso Araceli
Seqüestrada em 18 de maio de 1973, Araceli Cabrera Sanches, então com oito anos, foi drogada, espancada, estuprada e morta por membros de uma tradicional família capixaba. Muita gente acompanhou o desenrolar do caso, desde o momento em que Araceli entrou no carro dos assassinos até o aparecimento de seu corpo, desfigurado pelo ácido, em uma movimentada rua da cidade de Vitória. Poucos, entretanto, foram capazes de denunciar o acontecido. O silêncio da sociedade capixaba acabaria por decretar a impunidade dos criminosos.


Apesar da cobertura da mídia e do especial empenho de alguns jornalistas, o caso ficou impune. Araceli só foi sepultada três anos depois. Sua morte, contudo, ainda causa indignação e revolta. O Dia Nacional Contra o Abuso e a Exploração Sexual Infanto-juvenil vem manter viva a memória nacional, reafirmando a responsabilidade da sociedade brasileira em garantir os direitos de todas as suas Aracelis.







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