Desespero e preocupação vivem os moradores do bairro Baraúna em Santana do Ipanema, depois que a Construtora Sucesso responsável pela obra de saneamento no município construiu uma ribanceira na margem direita do Riacho Camoxinga, invadindo em mais de quatro metros a cabeça da ponte em direção as bueiras, com 2 metros de altura de barro e algumas pedras.
Texto e Fotos: Fernando Valões
Cheia em 2010(foto maior) e a Ribanceira dentro do riacho(foto menor)mesmo ângulo
Com o estreitamento do Riacho Camoxinga, exatamente no ponto que ocorrem inundações todos os anos, os moradores estão preocupados que a força das águas das trovoadas que ameaçam a região batam na encosta íngreme não coberta de vegetação e entrem com velocidade nas residências. Dirigentes da ONG ACEMA-Arte Cultura e Meio Ambiente, vêem denunciado há alguns anos a falta de obras de contenção para evitar as constantes enchentes no bairro que já causaram prejuízos de bens moveis e imóveis aos moradores ribeirinhos.
Barranco toma conta do leito do riacho(Foto maior), águas descem sem obstáculos nas cheias (foto menor)
O Riacho Camoxinga sofre com assoreamento e com as obras de saneamento o seu leito está ficando estreito com a construção de barranco para cobrir as tubulações que foram instaladas em suas margens. O perigo para moradores foi denunciado pela ONG ACEMA ao coordenador da Defesa Civil e funcionário da Prefeitura de Santana do Ipanema, Jailson Santana e a Marcelo Melo, Secretário Municipal de Obras e genro da prefeita Renilde. Ambos informaram que nada podiam fazer para impedir as obras mesmo sabendo dos risco para a população, uma denuncia da municipalidade está sendo encaminhada a Codevasf que é a responsável pela fiscalização das obras de saneamento na cidade, por se tratar de convenio federal.
Leito do Riacho Sumiu
Nem mais se vê aquele indefectível exercito de lavandeiras ás suas margens, negras novas ou idosas, que o colorido das suas vestes davam singular e pitoresco aspecto ás suas águas límpidass. Hoje o velho, imundo e turvo Riacho Camoxinga, cheio de curvas e meandros com salgueiros e arbustos.
Construtora Sucesso trabalha para fechar a margem esquerda, moradora entra em desespero
Com as obras na área urbana o Riacho Camoxinga vem descendo os seus 10 quilometros da nascente no povoado Camoxinga até a foz no Rio Ipanema. Agora está imprensado entre muros de barro e pedra construídos pelos malfeitores da natureza.
Cheia de 2010
A ONG ACEMA destaca que é fundamental a retirada da areia e do lixo do seu leito que compreende a ponte do estadual até a ponte da BR 316 na Pancrácio Rocha e a construção de um muro de arrimo de pedras.
A presença humana nesse trecho é grande. O Riacho Camoxinga apresenta inúmeras bifurcações, leito estreito e muita vegetação superior que, em alguns casos, cobre todo o leito.
Próximo ao local onde foi construído o barranco era freqüente a atividade de pesca e banho pelas crianças e adolescentes(2006), hoje quem mergulhar arrisca-se a ter sérios problemas de pele. Cerca de mil pessoas construíram casas às margens do riacho. A fauna sofre todas as danosas conseqüências de um processo de redução do nível de oxigênio das águas.O lixo contribui ainda, para estreitar o leito do rio e eliminar os pequenos córregos que formavam seu sistema de drenagem natural.
Os pouco mais de dez quilômetros que separam aquele trecho da nascente do riacho Camoxinga ainda abrigam aves e a vegetação mantém a maior parte de suas características. Mas, até quando?
Riacho Assoreado, o leito desapareceu (foto menor durante enchente 2010) Local hoje(Foto grande).
Um riacho agonizante, sufocado pelo crescimento urbano de Santana do Ipanema. Nos últimos anos esse curso d'água sofreu estreitamento de seu leito, bifurcação, descaracterização ecológica e poluição, apesar de existir em menor intensidade do que no Rio Ipanema
Moradora revoltada mostra a agressão ambiental ao Riacho Camoxinga, barranco mal feito.
Devido às freqüentes agressões, torna-se difícil no inverno percorrê-lo numa embarcação, pois tanto a profundidade como a largura de seu leito mudam constantemente, variando conforme um maior ou menor grau de expansão urbana.
A vingança
Pois é, o santanense não esqueceu sua última enchente. Nem mesmo se quiséssemos, pois existem muitas fotos, tiradas de todos os ângulos e de várias partes pela imprensa. Elas são mais do que testemunhas, são lembranças vivas. E a vingança veio. O riacho está cheio de lixo, entulho e se transforma cada vez mais num grande esgoto a céu aberto. Não existe projeto para sua recuperação. Dizem que falta dinheiro. Na verdade, falta vontade política.
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