
Água: AL ainda desperdiça e prova assoreamento
 Não é a toa que Alagoas é conhecida internacionalmente como o paraíso das águas. Dona de uma beleza natural sem igual, seus rios, mares e lagoas já foram cenário de filmes, novelas, palco de encontros de amigos e amores, local de diversão de muita gente. Mas, se de um lado as paisagens encantam, do outro, elas são sinônimos de sobrevivência e necessidade para milhares de pessoas que precisam da água para sobreviver. Nesta data 22, em que se comemora o Dia Nacional da Água, dados negativos da Secretaria de Estado do Meio-Ambiente e Recursos Hídricos dão conta de que mais de 50% da população ainda não têm esgotamento sanitário, que a população desperdiça 40% da água potável que dispõem e que o desmatamento é um dos maiores causadores do assoreamento dos rios e lagoas.
Que Alagoas é um estado rico um recursos hídricos, isso todo mundo sabe. Mas o que muita gente desconhece que é são os nossos rios a principal fonte de abastecimento de água para os milhares de consumidores do Estado inteiro. E para que a Companhia de Saneamento de Alagoas – Casal para coletar e oferecer toda a água necessária para o nosso consumo é preciso combater três grandes problemas que insistem em crescer: a poluição dos mananciais com lixo doméstico e industrial, o desmatamento das matas siliares e o derrame de produtos químicos poluentes.
De acordo com Carlos Alves, gerente de qualidade da água para consumo humano da Secretaria de Estado da Saúde, semanalmente Vigilância à Saúde faz o controle da água para detectar se os consumidores estão bebendo água de qualidade. “Temos os equipamentos mais modernos do mundo para aferir a qualidade da nossa água. Se a coloração der amarela, há presença de coliformes fecais. Daí, acionamos a Casal ou os SAES – Serviço de Água e Esgoto dos municípios, para que o órgão faça a desinfecção da rede com o tratamento a base de cloro. Já se o resultado apresentar cor branca, a água não está contaminada. Temos que ter esse controle sempre porque sabemos que nossos mananciais estão sendo muito mal tratados”, explicou o técnico.
Quanto ao problema do desmatamento das matas siliares, que provocam o assoreamento dos rios e lagoas, a secretária estadual de Meio-Ambiente e Recursos Hídricos, Ana Catarina Pires, explica que existem projetos de conscientização com as comunidades ribeirinhas para evitar o desgaste dos mananciais. “Procuramos fazer com que elas entendam que o sustento e a higiene das suas famílias dependem da preservação. É um processo lento, mas que não pode deixar de ser executado”, defendeu.
50% da população sem saneamento
De acordo com a secretária, 50% dos recursos hídricos de Alagoas estão no Semi-Árido e os outros 50% estão aqui no litoral e sofrem diretamente com o problema da falta de saneamento básico na cidade. “Gostaríamos de ter a garantia de saneamento para todo o Estado com as obras do PAC, mas sabemos que esse é um desejo a longo prazo. Precisamos portanto, desde agora, investir recursos próprios para fazer o esgotamento sanitário da cidades, principalmente naqueles lugares banhados por rios. Em se tratando de saúde pública, a falta de saneamento talvez seja o maior problema”, advertiu ela. De forma didática, Ana Catarina Pires informou que a Secretaria vem realizando palestras e encontros com várias comunidades para explicar o que significa, exatamente, saneamento básico, na tentativa de fazer com que as pessoas percebam a importância do esgotamento sanitário. “Ensinamos que a rede coletora de esgoto serve para escoar as águas usadas pela população no banho, ao escovar os dentes, ao lavar os pratos e as roupas, ao dar descarga no sanitário e que, se essas águas não forem tratadas, poluem os rios e lagoas. Mostramos que o esgoto a céu aberto contém bactérias, vírus e germes que são responsáveis por várias doenças, a exemplo de hepatite, diarréia, cólera, esquistossomose e leptospirose etc e que é a Casal a responsável pelo transporte, tratamento e disposição da rede de esgoto, ou seja, a Companhia envia essa água usada para as estações de tratamento e só depois é que permite que ela volte a natureza”, detalhou.
Canal do Sertão parado
Já para amenizar o sofrimento dos sertanejos que convivem diariamente com a falta d’água, o Estado tem investido em projetos alternativos, até que as obras do Canal do Sertão voltem a ser licitadas. “Essa é uma obra estruturante do Governo, mas muitos trechos ainda faltam passar por toda a burocracia que a legislação exige. E como não podemos deixar essas famílias passando sede e sem as mínimas condições de higiene, começamos a criar projetos como o das cisternas de placas, que armazenam as águas das chuvas”, explicou.
O IMA também tem um projeto ecologicamente correto chamado ‘Sabão ecológico – garantia de água limpa’ que ajuda a manter o meio-ambiente mais ‘puro’. Por ele, o óleo de cozinha, resíduo que também é destinado aos esgotos, pode ser transformado em sabão. Na receita, um litro de óleo de frituras usado, 500 ml de soda cáustica a 50% e 250 ml de água. “O sabão ajuda a acabar com um resíduo que seria mais um poluente e ainda faz com que a dona de casa economize”, destacou Adriana Melo, assessora técnica do Instituto.
Economize água
A população crescente o intenso uso da água está comprometendo a capacidade do planeta em reciclar seus recursos hídricos. Sendo coletada cada vez mais longe das cidades e necessitando de processos cada vez mais caros e sofisticados de purificação, a água se tornará, num futuro próximo, artigo de luxo segundo a Organização Mundial de Saúde - OMS.
Segundo dados da OMS, 97,5% da água disponível no planeta estão concentradas nos oceanos e são salgadas. Apenas 2,5% restantes são doces, portanto, há pouca água para ser aproveitada para consumo humano. Já números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que 60 milhões de brasileiros não têm saneamento básico, 16 milhões não possuem coleta de lixo, 1/3 dos municípios com menos de 20 mil habitantes não têm água tratada, as doenças intestinais, como diarréia e verminoses são a principal causa de internações no Brasil e que o Brasil ainda desperdiça até 40% da água tratada.
E para combater esse desperdício, Ricardo Vieira, gerente de planejamento da casal, dá as principais dicas para economizar água: “Não tomar banhos demorados; ao escovar os dentes, não deixar a torneira aberta o tempo todo; utilizar baldes para lavar pratos, jardins e carro; escolher apenas um dia para lavar roupa e ficar atento a qualquer vazamento na encanação”, ensinou ele.
Com Gazetaweb - com Janaina Ribeiro
|