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No Brasil, a erosão carrega anualmente 500 milhões de toneladas de solo,
o que corresponde a uma camada de solo de 15 centímetros numa área de
280.000 ha. Esse material arrastado pela erosão irá se depositar nas
baixadas e nos rios, riachos e lagoas, causando uma elevação de seus leitos
e possibilitando grandes enchentes.
A presença de uma boa cobertura florestal é de grande importância para o
controle do processo de erosão, que pode resultar em grandes acúmulos de
sedimentos nos cursos d'água, assoreando os mesmos e até mesmo causando a
eutrofização de reservatórios.
Numa bacia hidrográfica, com 23% da área ocupadas por florestas e o
restante por pastagens, o escoamento superficial atinge 90% e as perdas do
solo são 61 toneladas/hectare/ano. Após 20 anos, estando toda a bacia
reflorestada, o escoamento superficial será reduzido para 18% e as perdas do
solo por erosão serão reduzidas para 1,2 tonelada/hectare/ano.
No caso específico do Rio Grande do Sul, um exemplo clássico dos problemas
causados pela erosão do solo é o da barragem de Passo Real localizada no rio
Jacuí.
Após uma chuva de intensidade média, foi coletada uma amostra de água,
encontrando-se, por m3 de água: 1,6 kg de terra em suspensão, 1,5 ppm de
potássio (K), 4,6 ppm de cálcio e 2,1 ppm de magnésio (Mg). Cálculos sobre o
assoreamento da bacia hidráulica, com capacidade de 3,7 bilhões de m3 de
água, indicam haver, num determinado momento, aproximadamente 5.920.000 de
toneladas de solo em suspensão.
Na hipótese desse solo em suspensão se precipitar no fundo do rio, haveria
um assoreamento de 2 centímetros de espessura em toda a superfície submersa
da bacia. Através da simulação de cálculo, pode-se concluir que num período
de 30 anos todo o lago estará assoreado, e ficará inutilizado para a
produção de energia elétrica e outros fins.
Aspecto da erosão. Nesta foto, pode-se observar que onde há raízes de
plantas e árvores o solo conseguiu fixar-se melhor, evitando um maior
desmoronamento do leito. Em trabalho realizado no município de Santa
Maria-RS, em terreno levemente ondulado, sobre a avaliação das perdas de
água e de solo em decorrência de diferentes sistemas de manejo dos resíduos
da floresta de Acácia Negra, verificou-se que a cobertura vegetal realmente
desempenha papel fundamental no que se refere à amenização dos problemas
decorrentes da erosão.
Conhecendo a gravidade dos problemas causados pelo escoamento
superficial, deve-se considerar a importância da floresta na retenção dessas
águas. Geralmente esse tipo de escoamento em áreas florestais é muito
pequeno devido à grande infiltração e retenção da água pela serrapilheira e
pelas camadas superficiais do solo. Portanto, o escoamento superficial da
água é inversamente proporcional à cobertura da floresta.
Relação entre a área com cobertura florestal e o escoamento superficial.
A intensidade do escoamento superficial de uma floresta depende de alguns
fatores, tais como:
Declive - quanto maior o declive, maior será o escoamento superficial;
Densidade da floresta - existe uma estreita correlação entre a densidade e o
escoamento, porém em floresta densa com a mesma declividade o escoamento
superficial é menor.
Exposição - nas encostas, com exposição Norte, ocorre um maior escoamento
superficial. Isso se deve à alta insolação que acelera a decomposição e
impede a formação de uma espessa camada de serrapilheira.
Espécie - nas florestas de folhosas, o escoamento superficial é ligeiramente
menor que nas florestas de coníferas, embora nas coníferas ocorra formação
de uma manta hidrofóbica. Esse menor escoamento ocorre em florestas que
produzem manta densa e com boa estrutura.
Idade - em povoamentos jovens e com pouca manta na superfície do solo o
escoamento é sensivelmente maior.
Manta ou serapilheira - A presença da manta na superfície e a sua espessura
têm influência direta no escoamento superficial. Pesquisas realizadas na
Bulgária mostraram que numa floresta de Picea abies com diferentes
espessuras de manta o escoamento superficial é diferenciado.
Vegetação de sub-bosque e rasteira - exerce a mesma função que a manta,
podendo absorver a água, causando o efeito esponja e facilitando a
infiltração de água no solo; depende, porém, do tipo de vegetação.
Textura e estrutura do solo - os solos arenosos permitem uma maior
infiltração da água quando comparada aos solos argilosos.
Uso da floresta - de acordo com o uso da floresta, pode ocorrer uma maior ou
menor compactação; por exemplo, floresta utilizada para pastoreio apresenta
uma maior compactação, conseqüentemente, um maior escoamento superficial das
águas das chuvas.
Tipo de colheita - geralmente o escoamento superficial aumenta após uma
exploração através do corte raso. Os cortes seletivos interferem em menor
intensidade no escoamento superficial. No entanto, ambos os casos dependem
muito do tipo de vegetação do sub-bosque e sucessiva. A metodologia de
extração de madeira também tem influência na perda superficial da água.
Aceiros e carreadores - A marcação dos aceiros e carreadores é uma tarefa de
grande importância, pois uma locação errada poderá transformá-los em grandes
canalizadores de água e provocar grande erosão dentro das florestas; por
isso é importante observar sempre a declividade do terreno e marcá-la no
sentido das curvas de nível. Nas áreas muito inclinadas é muito importante
manter vegetação rasteira nos aceiros para proteger a superfície do solo e
evitar o escoamento superficial.
Queimadas - Esta tem influência direta no escoamento superficial, pois, além
de eliminar os resíduos e a matéria orgânica, parece produzir substâncias
hidrofóbicas que formam uma camada de impedimento para a água a uma pequena
profundidade do solo. Em regiões montanhosas, cobertas de florestas, o
escoamento superficial tem grande influência no aumento do deflúvio da
bacia.
Nos períodos sem chuva a água do solo percola de forma lenta e gradativa
para o aqüífero, responsável pelo abastecimento do deflúvio da bacia.
Já nos períodos chuvosos, a infiltração da água é alta e as camadas
superficiais do solo tendem a sofrer uma elevada saturação. Enquanto a
frente de molhamento estende-se em direção às camadas mais profundas ou de
menos permeabilidade do solo, a direção do fluxo da água na camada saturada
do solo superficial é desviada ao longo da declividade do terreno,
resultando no escoamento subsuperficial, que é o responsável pelo aumento do
deflúvio da bacia.
Fonte: www.ecolnews.com.br |