
Falta água no Acre, em pleno coração
da maior bacia hidrográfica do mundo
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Rio Acre-
Rio Branco 2004:
nível normal
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Rio Acre
em 2005: 12 metros abaixo
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Na região que guarda 20% de toda a água doce do planeta
está ocorrendo um dos fenômenos climáticos mais severos registrados
desde quando se iniciou o monitoramento meteorológico no Acre. »
Nas últimas quatro décadas, os acreanos jamais
enfrentaram seca tão intensa. Antes disso, havia pouca gente para
testemunhar, sentir ou ajudar a piorar os efeitos de uma estiagem tão
grave. A população da capital multiplicou-se por cinco nesse período. Já
são quatro meses praticamente sem chuva. Em agosto, o índice
pluviométrico ficou próximo de zero. Em anos de clima normal, a média é
de 40 litros por metro quadrado. No mês passado também choveu muito
menos do que o esperado. O Rio Acre, o principal curso de água e fonte
de abastecimento para os 255.000 habitantes de Rio Branco, está mais de
12 metros abaixo de seu nível regular. Com 1,6 metro de profundidade,
praticamente desapareceu. A navegação parou. O racionamento de água já
dura três meses. Poços artesianos também estão secando. Os mais pobres,
moradores da periferia, estão cavando cacimbas na floresta e caminhando
até trinta minutos com baldes de água barrenta nas mãos.
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Ao drama da falta de água se sobrepõe a fumaça. As
florestas, esturricadas pelo sol, têm incêndios diários, que levaram o
estado a apresentar níveis de poluição três vezes maiores do que o
tolerado pelas organizações internacionais. Nos últimos quatro meses,
registraram-se mais queimadas do que durante todo o ano passado.
Estudantes vão à escola usando máscara para não respirar fuligem. O ar
seco e a água contaminada favorecem a disseminação de vírus. Onze
crianças com menos de 5 anos morreram. A visibilidade chega a ser
inferior a 300 metros, o aeroporto fecha com freqüência e o sol pode ser
olhado de frente, obstruído por uma cortina cinzenta.
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